sexta-feira, 19 de março de 2010

Não tem como aceitar.

Ela já havia percebido à dias a movimentação estranhada, os olhares sem sentido e a falta de assunto. Jamais imaginaria que tudo teria sido impulsionado por algum deslize seu. Com tanta indiferença ela se sente rejeitada mais uma vez, ouve conselhos dos mais bizarros, sente abraços apertados de alguém que ela nunca esperaria que fosse apoiá-la em algum momento, já outros ela nem faz questão, porque sabe que também tem a ver com a confusão toda. Não que ela esteja se fazendo de coitada, não é isso que ela quer, não mesmo, pretende se submeter a muitas coisas para ter aquilo que julgava valioso. Quando finalmente ela se deu conta que tudo havia acabado e que não passava de um pesadelo, ela entrou em desespero, chorava sem parar, se arranhava, foi até o banheiro pegou a lâmina e colocou sobre seu pulso, ela colocava tanta força sobre a mesma que ficavam as marcas certinhas da lâmina em seu pulso, chorava e chorava, desesperada, soluçava. O telefone tocou e a impediu de que ela fizesse o que havia premeditado em apenas 2 segundos por impulso. Era sua mãe, a menina tentou disfarçar a voz rouca e assustada, mais ela acabou notando a diferença, e perguntou o motivo para tamanho desespero e a única coisa que a menina disse foi decepção. Era isso que ela sentia forte em seu peito, era isso que causava tanta angústia. Mais do que nunca ela se sentiu fraca, fraca por não conseguir se auto-ferir e fraca por não manter aquilo que mais gostava, aquilo que um dia jurou nunca se perder com o tempo ou até mesmo com desavença.
Ela preferia se machucar do que machucar alguém. Alguém esse que chamava de irmã.
Ela só quer saber o real motivo pra tanto desprezo, tanta raiva.

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